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3 mil vão à Brasília defender a Petrobras

Em frente ao Congresso, manifestantes protestam contra tentativa de paralisar a Petrobras e de barrar nova lei do petróleo

Cerca de três mil pessoas vindas de vários cantos Brasil se reuniram na quarta-feira, dia 3, em frente ao Congresso Nacional para protestar contra a tentativa, disfarçada de CPI, de paralisar a Petrobrás e barrar a campanha dos movimentos sociais por uma nova lei do petróleo. Ao final do ato, os manifestantes deram um abraço simbólico em torno dos jardins que ficam em frente ao Congresso.

A atividade, organizada pela CUT, pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e diversos movimentos sociais, como MST e UNE, já foi realizada em vários estados do Brasil e é integrada à campanha por uma nova lei do petróleo, pela retomada do monopólio estatal e em defesa da Petrobrás pública e com compromisso social. O objetivo da campanha é criar uma lei do petróleo que acabe com leilões e crie um fundo social soberano para gerir as riquezas do pré-sal, o que garantiria a destinação de grande parte dos recursos financeiros da comercialização do petróleo e do gás para programas e políticas públicas de educação, combate à pobreza, cultura, saúde, entre outros.

A intenção inicial da Central no ato de hoje era de realizar uma ocupação pacífica do Congresso. Entretanto, a pedido da Presidência da Casa, o acesso ao Salão Verde da Câmara dos Deputados foi isolado por um forte aparato de segurança para impedir a entrada dos manifestantes. "Isso significa a distância dos interesses do Congresso Nacional em relação aos interesses da população brasileira, ou seja, é uma casa que não reflete nossa representação e deveria ser a Casa do povo, mas, infelizmente, não é", denunciou a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga.

Como o objetivo da manifestação era uma ocupação pacífica e a instalação da CPI, prevista para hoje, já havia sido adiada, os dirigentes e militantes decidiram não promover enfrentamento. O ato em frente ao Congresso ganhou também a adesão dos movimentos de saúde, que estavam em Brasília para protestar contra o projeto governamental de criar fundações de direito privado no setor público, e dos movimentos de moradia, que também levou delegações a Brasília.

Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a instalação da CPI não é justificável. "O Brasil tem instrumentos como a Controladoria Geral da União, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e vários outros instrumentos para que seja feita a orientação e o acompanhamento dos contratos das empresas", disse. Para o presidente, a instalação da CPI contra a Petrobrás não passa de uma manobra dos parlamentares de direita. "Na nossa avaliação, a CPI tem como único objetivo inviabilizar o governo Lula, inviabilizar o PAC, inviabilizar os investimentos que essa empresa está fazendo como forma de superar a crise. O que os parlamentares do PSDB e do DEM querem é, apostando no ‘quanto pior melhor', tentar fazer sua candidatura em 2010 crescer", afirmou.
Sobre o caminhão de som, Artur cobrou que os parlamentares dediquem mais seu tempo a apreciar e votar projetos importantes para a classe trabalhadora, como a redução da jornada de trabalho e a ratificação da Convenção 158, paralisada no Senado.

O coordenador da FUP, João Antonio de Moraes, lembrou a luta quase centenária pela soberania energética brasileira, rememorou a administração desastrosa do PSDB frente à Petrobrás e afirmou que os criadores da CPI "integram-se aqueles que sempre defenderam os interesses dos trustes estrangeiros".

O primeiro tesoureiro da CUT, Antonio Carlos Spis, deu um recado: "Os parlamentares que insistirem em usar a CPI para paralisar a Petrobrás e melar as condições para a criação de uma nova lei do petróleo terão seus rostos expostos em cartazes pelo país, na condição de traidores".

Diversos dirigentes da CUT Nacional compareceram, entre eles Dary Beck Filho, Denise Motta Dau, Expedito Solaney, Lúcia Reis e Vagner Freitas.

Impasse - A instalação da CPI da Petrobras, criada a pedido do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), deveria ter sido feita nessa terça-feira (2), mas foi adiada por falta de quorum e remarcada para esta quinta-feira (4), às 11 horas. A insuficiência do número de senadores presentes é fruto da divergência entre governo e a oposição para a ocupação dos cargos de presidente e relator da CPI. De acordo com o líder do bloco de apoio ao governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), os senadores governistas só darão quorum para a eleição se os parlamentares da oposição abrirem mão da relatoria da CPI das ONGs.

Fonte: www.cut.org.br

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